Em entrevista exclusiva ao Carnasite, Durval Lelys afirma que Asa de Águia lançará o seu primeiro DVD Ao Vivo em 2005

Em entrevista exclusiva ao Carnasite, Durval Lelys afirma que Asa de Águia lançará o seu primeiro DVD Ao Vivo em 2005

Por Érick MeloApoiado pelo pai, aos 8 anos o pequeno Durval Lelis Tavares iniciou-se na música com o mestre Gilberto Villas-Boas. Alguns anos depois, no começo da década de 80, ele concluiu a faculdade de arquitetura, mas o amor pela música falou mais alto e juntamente com Ricardo Chaves montou a Banda Pinel, chegando até a participar do Carnaval de 1986 como guitarrista e diretor artístico. Paralelamente ao Pinel, Durval começou a organizar animadas festas na Mansão do Águia, no bairro da Armação. Foi nesta época que ele juntou alguns amigos e decidiu criar o Asa de Águia. Irreverente e com um enorme talento para compor músicas maravilhosas, dentro de pouco tempo o filho do Senhor Durval Américo Tavares tornou-se um dos maiores ícones da história do axé e do Carnaval de Salvador. No entanto, depois de tantas alegrias e inúmeros hits, nos últimos meses Durvalino Meu Rei passou por alguns momentos bastante difíceis, como o seu problema de saúde e especialmente a morte do seu pai, que sempre foi o seu maior amigo.Na entrevista exclusiva que o Rei da Rua concedeu ao Carnasite, o maior site de axé music do Brasil, ele fala abertamente desses e de outros assuntos, como os preços dos eventos de axé em todo o País, a sua relação com Bell Marques, do seu dom de compor e revela em primeira mão que o seu aguardado primeiro DVD será lançado no ano que vem. Carnasite - Para dar um fim nesse desagradável assunto, como está sua saúde? O Rei da Rua já está novamente 100% para comandar micaretas, shows e Trivelas?Durval Lelys - Minha saúde, graças a Deus, está ótima. Estou recomeçando a maratona de shows com muita vontade, mas este ano voltaremos com a agenda mais tranqüila. Esta foi a decisão mais sábia que resolvemos aplicar ao Asa de Águia.Carnasite - Quando você percebeu que algo de errado estava acontecendo com seu organismo? Durval - Em junho de 2003 comecei a sentir ardências no estômago e na garganta e não sabia o que era aquilo. Depois de alguns shows, senti a voz querendo fechar e percebi que algo de errado estava acontecendo. Quando o refluxo é muito forte, ele atinge a garganta e você fica com dificuldades de respiração pra cantar, além de forçar os músculos da laringe. Você termina mudando o apoio da voz para compensar e é aí que o “bicho pega”. Você adquire vícios errados e começa a cantar errado também. Daí, só fonoterapia pra recompensar as perdas e seguir com muita disciplina as recomendações médicas para conter o refluxo.

  Durval Lelys e seus pais

Carnasite - Além do problema do refluxo, no começo deste ano o seu pai faleceu. Por acaso esse período foi o mais difícil de sua vida? Aproveite e fale um pouco também do Senhor Durval Américo Tavares, um dos maiores incentivadores do começo de sua carreira. Durval - Com certeza foi! Me lembro muito bem do último Natal, quando meu pai falou para eu descansar, tirar umas férias. Ele disse: “Filho, você precisa tirar umas férias. A vida não é só trabalho! O homem tem que se divertir e descansar”. Um mês depois ele faleceu e estávamos há poucas semanas do Carnaval. Foi um baque muito grande para mim, pois com certeza, ele era o meu melhor amigo. Sempre que podíamos estar juntos nós dois conversávamos muito e ele gostava de ouvir as minhas histórias, e eu as dele. É muito difícil para um filho perder o pai que tanto gosta, e mais difícil ainda é fazer um Carnaval alegre com tanta tristeza no peito… Mas consegui e fiz um Carnaval maravilhoso. Fiz essa homenagem a ele, pois sabia que meu pai sempre queria ver os seus filhos felizes e trabalhando com amor.Carnasite - Logo após o Carnaval, você anunciou que tiraria umas férias – a primeira em quase 20 anos de carreira. Nesse período de muita sombra e água fresca, por acaso Durvalino tirou um tempinho-extra para compor novas músicas e personagens? Durval - A minha criatividade é a minha maior riqueza. Ela anda comigo todas as horas, todos os momentos. Faço uma média de 40 a 60 músicas por ano. Muitas surpresas vêm por aí. Carnasite - Por falar em composições, recentemente o ECAD anunciou que você foi o segundo compositor mais tocado no Brasil em 2003. Esse “título simbólico” foi uma das maiores alegrias de sua vitoriosa carreira?Durval - Não é simbólico não, é verdadeiro mesmo! Muitas vezes as minhas músicas foram bem aceitas no meio musical. O Asa é sucesso nacional há muitos anos e já estive no topo das mais tocadas muitas vezes. Agradeço a Deus por ter me dado este dom tão maravilhoso, que é o de saber compor belas canções. Com certeza esse é o meu maior dom no ramo da música. Eu vivo num eterno estado de inspiração. Eu sou um criador nato, nasci com essa qualidade.Carnasite - Apesar de ter sido lançada há mais de dez anos, “Dia dos Namorados” continua agradando e muito a sua legião de fãs. Neste ano, por exemplo, ela já faturou duas enquetes do Carnasite: melhor música do Asa de Águia e canção ideal para o Dia dos Namorados. Fale um pouco do processo de composição desse seu hit que continua emocionando tantas pessoas.Durval - Esta música eu divido o sucesso com meu parceiro irmão, Tonho Matéria (principal vocalista do Olodum), uma das maiores “feras” que conheço nessa modalidade. Tonho é mágico e transparente. Uma pessoa alegre e amiga! Um grande homem! “Dia dos Namorados” foi criada no meu estúdio de ensaio na Casa da Duma, em Salvador. Me lembro que naquela tarde nós criamos umas cinco músicas, é mole?


  Durval Lelys e um de seus últimos
  personagens, ”Salvador Dalino”

Carnasite - Embora você seja responsável por alguns dos maiores clássicos do axé, por acaso já se arrependeu de algo que compôs? Durval - Já ouvi algumas críticas sobre as “dancinhas”. O curioso é que essas dancinhas são músicas muito aceitas pelo povão e são as mais comerciais. São as que dão maior retorno financeiro e de divulgação. Como o meu público é muito exigente, às vezes tenho que ouvir algumas críticas desse tipo, mas não me importo. Elas são necessárias na amplitude do repertório carnavalesco. Carnaval é dança, farra e alegria!Carnasite - E o próximo álbum, sai quando? Será que enfim o Asa saciará o sonho dos seus maiores discípulos e irá gravar novamente um trabalho Ao Vivo?Durval - Nosso CD sai sempre no mês de novembro. Nós sempre gravamos os nossos discos no meu estúdio, o Groove Studio, que é indiscutivelmente um dos melhores do Brasil. Ele nos permite gravar um CD com todos os componentes da banda tocando todos ao mesmo tempo, dando mais originalidade ao trabalho. Isso sem contar na economia, qualidade e velocidade que imprimimos na concepção do CD. Agora estamos implantando a primeira sala 5.1 da Bahia para mixar DVDs e já temos planos de elaborar o “vídeo release” da Trivela. Temos todos os passos gravados, desde a construção da primeira Trivela no Arraial d`Ajuda, até vários takes e entrevistas realizados nos últimos anos nas festas da Trivela em todo o Brasil. Com a construção da nova Trivela, que deverá estar concluída em setembro deste ano, faremos um DVD com um show de lançamento e todo esse material será reunido nesta obra. Acredito que esse projeto será finalizado em 2005, mas vale a pena esperar. Já está na hora, não é?Carnasite - Músicas maravilhosas e inesquecíveis, como “Gabriela”, “A Lenda”, “Duas Medidas”, “Tem Que Ter Você”, “Corpo Moreno”, “Elo Perdido”, “Pé na Chuva”, “Fala Sério”, “Carrossel de Magia”, “Vela no Vento”, “Escócia”, “Certidão”, “Tempere Aê”, entre outras, podem enfim entrar no repertório de um trabalho Ao Vivo do Asa de Águia? Será que não dá para lançar um CD e DVD duplo?Durval - A surpresa será essa. O nosso próximo trabalho Ao Vivo tentará agradar aos Gregos e aos Troianos. Vai ser uma experiência muito legal.Carnasite - Desde a saída da BMG, em 2001, que o Asa não faz mais parte do casting de uma grande gravadora. Por que a banda decidiu gravar os seus CDs de forma independente e até distribuí-los como brinde para seus associados e fãs?Durval - Todas as experiências são válidas. Tudo tem suas vantagens e desvantagens. O mais importante pra mim é tentar alcançar novos horizontes, pois a mudança é um fato marcante na nossa carreira. Ser independente tendo um estúdio de ponta, editora, selo e músicas próprias é a perfeição. Nós somos os donos exclusivos do nosso próprio trabalho. Nunca descartei uma gravadora, pois acho que as nossas experiências com elas foram muito positivas. O fato é que o mercado às vezes impõe certas regras que não podemos evitar e as despesas das gravadoras são muito altas com seus artistas, além da pirataria, que tem prejudicado e muito o mercado fonográfico. Ser independente é ser o “meio termo”, mas resolve quando as suas necessidades e interesses atingem os objetivos desejados.Carnasite - Num futuro próximo, a banda pensa em negociar as suas músicas via internet?Durval - Mais do que isso, quem sabe até doar? Se eu sou um compositor em potencial, pode ser que eu encontre uma nova fórmula de divulgar o meu trabalho e lucrar de outra maneira. Tem que botar a cabeça pra funcionar. Eu diria até que já tenho uma nova fórmula, mas ainda é segredo.Carnasite - No último Carnaval os fãs do Chiclete com Banana criaram um refrão irônico para a sua banda: “Se não gostou vá pro Asa, vá pro Asa”. Ficou chateado com essa atitude?Durval - Muito pelo contrário. Isso faz parte da concorrência sadia entre os associados dos blocos de Carnaval. Já vi muitas vezes meus fãs atiçando essas rivalidades, mas isso não pesa na balança. O que importa é a amizade e o respeito que existe entre os artistas. Tenho certeza que quando a coisa começa a ficar feia, a nossa responsabilidade fala mais alto. Nós não construímos esse império para provocar brigas e sim, diversão. Quanto aos fanáticos, eles existem por toda à parte: no futebol, em Parintins, nas quadrilhas juninas, e por que não nos blocos de Carnaval? Têm fanáticos pra tudo. Carnasite - Fora o pessoal do Asa de Águia, quais os artistas do axé que você tem mais amizade? E qual a sua relação com o Bell Marques? Durval - Particularmente eu tenho amizade com todos e tenho certeza que todos gostam de mim. Durvalino Meu Rei é uma grande figura da axé music e Bell é o nosso irmão mais velho. O respeito e a admiração que tenho por ele é muito grande. Sempre fomos grandes amigos e nas situações mais difíceis das nossas carreiras, sempre fomos prestativos um com o outro. Isso é muito nobre e bonito. Um exemplo para as futuras gerações de puxadores de trio. Carnasite - Embora o Me Abraça seja o bloco mais bonito do Carnaval de Salvador, a Barra/Ondina tenha uma vista paradisíaca… você não sente saudades de desfilar pelo menos um dia no Campo Grande?Durval - O Carnaval da Bahia é muito grande. Tem espaço pra todos e não tenho nada contra a Avenida. Apenas escolhi a Barra porque me sinto mais confortável neste local. Eu gosto do horário do pôr do sol para tocar e meu público gosta do horário por vários outros fatores. O importante é você saber escolher o lugar que mais te agrada e também, aos seus associados. O Me Abraça é um casamento perfeito entre o Asa e seu público. Carnasite - E o Cocobambu Brasil, depois dessa parada em 2004, ele poderá voltar com tudo no ano que vem? É possível que em 2005 você volte a puxar três dias de alguma micareta? Durval - O Pinel, o Eva, o Crocodilo, o Interasa e o Cocobambu com o Asa de Águia sempre foram blocos maravilhosos. O Cocobambu é uma marca vitoriosa e de muito sucesso. Todas essas marcas são flutuantes, mas o Asa sempre procurou atender aos seus associados da melhor forma possível. Acho que as micaretas estão em fase de transformação. Muitas já mudaram de formato e de lugar. Existe hoje uma grande concentração de camarotes e pouca extensão de ruas. É preciso estabilizar o mercado e os interesses para que possamos juntos lucrar com isso em todos os sentidos. Estamos tentando com as empresas competentes melhorar o quadro atual das micaretas, enquanto isso, o Asa descansa um pouco para que eu tenha uma recuperação melhor desse desgaste que sofri ao longo desses 24 anos de carreira, afinal de contas, muitas dessas micaretas nós fomos os pioneiros, como: Vital, Micarecandanga, Carnabelô, Rio Elétrico, Carnasampa… Algumas delas, nem mais existem. Estamos trabalhando agora a marca Reino da Folia. Esta marca proporciona mais flexibilidade no quesito “atrações”, já que o Cocobambu é 100% ASA. O bom mesmo é participar de todas e diversificar ao máximo possível os produtos da Holding do Asa de Águia.Carnasite - Mudando um pouco de assunto, nos últimos anos os preços dos eventos de axé music no eixo Rio/São Paulo e os abadás e camarotes do Carnaval de Salvador aumentaram bastante, muito mais até do que a inflação no Brasil neste período. Por que isso aconteceu? Isso não pode ser ruim para esse novo boom do axé?Durval - Quanto ao preço dos camarotes e dos blocos de Salvador, acho que tem opções para todos. Os mais caros com certeza oferecem melhores condições aos foliões mais exigentes, como serviço, segurança, conforto e social, além de bandas famosas no segmento de trio elétrico no caso dos blocos. Tem blocos na Bahia que quando não conseguem vender, dão até de graça os seus abadás. É a lei da oferta e da procura. Quanto aos preços dos eventos no eixo Rio/São Paulo, não tenho como avaliar cada cidade, cada região tem seus próprios custos. Tenho ouvido muitas reclamações e isso não é bom para ninguém.Carnasite - Finalizando… só mais uma coisinha: tem uma pergunta que você nunca respondeu e todo mundo tem a maior curiosidade de saber… Durval Lelis Tavares nasceu no dia 06 de dezembro de que ano mesmo?Durval - De antigamente galera… Beijos!!!