Em entrevista exclusiva ao Carnasite, Jammil revela todos os detalhes do seu novo CD e DVD Ao Vivo

Depois de terem comido o pão que o diabo amassou, o pessoal do Jammil e Uma Noites deu a volta por cima nos últimos anos. Com bastante garra, humildade, muito trabalho e enorme talento, a banda conseguiu superar a lenda de eterna promessa que teve a sua carreira atrapalhada por erros e boicotes dos seus antigos empresários e se transformou num dos maiores nomes do axé em todo o Brasil.

Para muitos, na atualidade o Jammil é um dos seis maiores nomes da música baiana, ao lado do Chiclete, Ivete, Asa, Babado e Daniela. Já em Minas Gerais a banda é um fenômeno e é tão idolatrada quanto ao Skank e o Jota Quest.No vácuo dessa ótima fase, querendo conquistar novos públicos e subir mais alguns degraus, o Jammil e Uma Noites decidiu gravar um novo CD e DVD Ao Vivo. Nesta entrevista exclusiva ao Carnasite, o baixista Manno Góes e o vocalista Tuca Fernandes revelam todos os detalhes desse trabalho, que chegará às lojas no segundo semestre deste ano. Carnasite - O Jammil e Uma Noites foi o primeiro artista do axé a gravar um DVD Ao Vivo e um CD acústico. É verdade que vocês estão produzindo um trabalho bem diferente dos que já foram lançados?Manno Góes - Quando lançamos nosso primeiro DVD, o acústico, nenhum artista baiano havia ousado gravar um DVD. A mídia DVD era um processo complicado e muito novo. Fizemos na raça. Foi um projeto embrionário, que nós fizemos por força da situação da banda, que era meio cult no meio axé. Então, nada mais cult que lançar um DVD. Estávamos mudando de empresário novamente (isso aconteceu após o episódio Netinho) e queríamos sair mostrando o que a gente era na essência: uma banda com boas composições, boas músicas. Porém, éramos uma banda abafada pelo processo de mudança de cantora da Banda Eva (com a saída de Ivete Sangalo para a carreira solo) e da explosão do pagode baiano. A empresa que cuidava da gente nesta época, a Perto da Selva, preferiu, erroneamente, acreditar nesses projetos. Foi quando eu chamei Paulo Borges, então empresário de Ricardo Chaves, pra cuidar do marketing da gente. Ele já era meu amigo e era um cara que eu admirava pela competência e integridade. Ele aceitou o nosso convite e concluiu que a gente precisava fazer uma reavaliação do nosso trabalho. E essa reavaliação passava por um processo de voltar a ter credibilidade com os empresários do meio artístico, ou seja, com os contratantes e gravadoras. Fazer um DVD acústico era um cartão de visitas. Era uma forma de dizer pros contratantes: “Olha, cara. Eu sou isso aqui. Tenho esse potencial. Não sou banda que veio pra durar um ou dois anos não. Somos muito mais que isso.” E esse DVD é o responsável primordial pra tudo que estamos vivendo hoje. Foi uma decisão, uma aposta de Paulo Borges. Ele estava certíssimo.Sem esse DVD, não estaríamos recolocados no mercado, não teríamos reconquistado a confiança dos contratantes, do público, de ninguém. Não pelo resultado do DVD em si, mas pelas conseqüências disto. O resultado foi tão positivo que, a partir dali, tivemos, pela primeira vez, compatibilidade entre banda e empresário. Paulo Borges hoje é nosso empresário. Nosso sócio. Um artista como nós e com muita sensibilidade. Um cara que entende nossas intenções e que veste nossa camisa. Nosso guru, mentor. O empresário que qualquer artista gostaria de ter. Esse novo DVD é fruto daquele acústico. Uma conseqüência de mercado. Uma gratificação por tudo que fizemos, e garanto, será algo espetacular. Carnasite - Por que vocês escolheram São Paulo, Belo Horizonte e a Costa do Sauípe para gravar esse DVD?Manno - Fácil! São Paulo nos proporciona contato com pessoas que sempre nos prestigiaram. Admiradores incríveis. E facilidades técnicas inimagináveis. São Paulo é a New York latina. Tudo de primeiro mundo se encontra aqui. E o público é sensacional. Belo Horizonte é nossa varanda. As melhores festas que fizemos foram lá. Que povo lindo, querido! Sou fã dos mineiros. Não poderíamos deixar de registrar nosso carinho por Minas Gerais e o carinho deles pela gente. Já Sauípe é a nossa Las Vegas, nossa Cancun. O complexo turístico da Costa de Sauípe é algo absurdamente de primeiro mundo. Queremos registrar isso em nosso DVD. Esse trabalho promete muito! Carnasite - Por acaso essas gravações terão alguns convidados especiais? Ou ainda é surpresa…Manno - Teremos a honra de contar com Claudinha, do Babado Novo, em “Chuva na Janela” e com Tatau, do Ara Ketu, em “Amor, Amor”. Essa história de surpresa é sempre enganação. Quando dizem “é surpresa”, é porque não está confirmado ainda. Convidamos Bell Marques, do Chiclete com Banana. Ninguém o convida pra nada. Acha ele intocável. Ele ficou feliz pra cacete com o convite. Só que ele vai estar viajando com a família no dia da gravação. Mas foi simpaticíssimo com o convite. Ficou vibrante. E nos deixou na expectativa.Se rolar, vai ser ótimo, algo maravilhoso. Se não rolar, paciência. Só o fato dele ter dado importância real para o convite, valeu. Somos fãs de Bell. E ele nos elogia sempre. Um espelho. Outra banda que convidamos e que chegou a ensaiar com a gente foi o Biquíni Cavadão. Mas eles estarão tocando no dia 22 de maio, um domingo, dia da gravação acústica em Sauípe, onde eles participariam. Lamentei muito, pois eles são nossos amigos e admiradores do nosso trabalho. Carnasite - Canções pouco conhecidas do grande público, como “Juro”, “Outdoor”, “Amor Beija-Flor”, “Você e Eu”, “Só de Nós Dois”, “Dom De Se Dar”, “Paraíso” e “Na Veia” estarão nesse novo trabalho?Manno - A definição de um repertório é foda! Aliás, quero agradecer ao Carnasite pela enquete. A participação de Tatau seria em “Então Não Chore Não”. Mas o resultado da enquete do Carnasite fez com que a gente resolvesse gravar “Amor, Amor” no lugar dela. Dessas músicas que você citou, “Dom De Se Dar” e “Paraíso” com certeza estarão nesse trabalho. Os nossos grandes hits, como “Ê Saudade”, “Praieiro”, “É Verão”, “Milla”, “Pra Te Ter Aqui”, “O Astronauta de Mármore”, “Minha Preferida”… também estarão nesse CD e DVD, que terá ainda mais umas seis músicas inéditas.Carnasite - E “Lança, Lança”? Após tanta polêmica, de ter sido censurada em Salvador e no Rio de Janeiro, ela entrará no repertório? Manno - Por motivos de força maior, infelizmente a gente não gravará “Lança, Lança”. Uma pena!Carnasite - Tuca, é verdade que você compôs uma música em parceria com Alexandre Peixe e Beto Garrido? (Peixe e Garrido são os autores de vários sucessos do Chiclete com Banana, como “100% Você”, “Não Vou Chorar”, “Do Nosso Jeito”, “Voa Voa”, “Nana Ê” e “Quero Chiclete”).Tuca Fernandes - Sim, é verdade. Há tempos eu tinha uma idéia martelando na minha cabeça, até já tinha escrito um pedaço da letra. Empolgado, procurei o Alexandre Peixe e o Beto Garrido, dois caras que eu admiro bastante. E aí, nós três criamos a música “Tudo de Bom”.Carnasite - E qual o estilo de “Tudo de Bom”? É uma baladinha, uma música para cima…Tuca - É uma música para a galera das micaretas e dos trios elétricos. Uma música eletrizante, bem pra cima, alto-astral. Uma música com a cara do Jammil. Com certeza será um dos grandes destaques desse trabalho e possivelmente até do próximo Carnaval.Carnasite - O Jammil e Uma Noites é considerado a banda mais rock´n´roll do axé. O novo CD e DVD terá alguma regravação do pop/rock?Manno - O que é pop/rock? Pra mim, “Sonho de Amor” (Ana Tereza), do Asa, “Trio Metal”, de Daniela, “Zorra”, da Timbalada, são pop/rock. Assim como “Pra Te Ter Aqui”, “Milla”, “Praieiro”, “É Verão” também são. Qual a diferença de “Coração”, do Rapazolla pra “Amor Igual ao Seu”, do Cidade Negra? A presença mais evidente da percussão? Phill Collins é pop mundial e usa e abusa da percussão. Ouça o tema de Tarzan, de Phill Collins e depois ouça “Um Namoro à Dois”, da Timbalada. Por que Santana é world music quando grava com David Mathews e Netinho é axé quando grava “Total”? Pitty é axé. Vem da Bahia, é axé. E o que é que tem ser axé? Axé bom, pra mim, é aquele feito com musicalidade, com contemporaneidade. E o axé é pop, acredite. Daniela é pop. Netinho é pop. Rapazolla é pop. Claudinha é pop. Jammil é pop. E você vai ter o direito de gostar do que quiser. De Charlie Borwn Jr à Olodum. Ouça o DVD de Alanis Morrisette. Tem uma música que tem cinco minutos de solo de samba reggae. E aí? Vão dizer o que? É axé? Esse termo, “axé”, é chato. Um incômodo pra nós, artistas da música. Somos representantes vitoriosos de uma característica musical brasileira. O samba reggae seria world music em qualquer lugar do mundo. Só não é, por enquanto, aqui, no Brasil. O que é compreensível, haja vista as décadas de imposições culturais e de subserviência nordestina da qual fazemos parte. O disco mais vendido no mundo de uma banda brasileira foi o “Roots”, do Sepultura. Influência total do samba reggae. E o principal compositor desse disco é Carlinhos Brown. Mas alguém fala disso? Claro que não. Carnasite - Mudando um pouco de assunto, e indo para um lado Caras, Contigo, Leão Lobo, Nelson Rubens… (risos) Recentemente você compôs uma música para a sua noiva, a Claudinha Leitte, vocalista do Babado Novo. Essa música estará no repertório? Manno - Eu não compus uma música pra Claudinha. Compus uma ópera, um disco inteiro, uma coletânea. O amor é lindo. Inspirador. Claro que alguma dessas músicas estará no repertório. “Minha Estrela” é uma delas. Fala da situação do fã, que sou eu, perante a estrela, ela. Uma situação delicada, na qual a afetividade tem que conviver, passionalmente com os compromissos, a ausência e a saudade. Carnasite - Dá para você adiantar um trechinho da letra dessa apaixonante baladinha?Manno - Claro que sim. “Vou te ninar, te abraçar, te beijar a vida inteira/ Serei seu fã, você pra sempre a minha estrela”. Carnasite - E o casamento, sai quando? Manno - Na hora em que nossas agendas permitirem…Carnasite - Deixando os fuxicos de lado… (risos) E o repertório desse trabalho, já está definido ou vocês vão esperar para ver o resultado das gravações? Manno - 90% já está definido. Mas o show pode surpreender e aí, já sabe, né? Mudanças de plano…Carnasite - Após gravar três músicas no Axé Brasil Extra, em Belo Horizonte, nesta quarta-feira, dia 27, o Jammil vai gravar o seu CD e DVD em São Paulo. O que vocês estão preparando para essa gravação no DirecTV Music Hall? Manno - A mesma honestidade de sempre. Vou beber meu Johnny Walker Red Label, Tuca vai fazer os exercícios de voz, Beto vai falar com Jhá, Lucas (baterista) vai rir de tudo, Flavinho Morgade vai estar assistindo algum filme no notebook, Guiga e Nogueira (metais) vão fazer palhaçadas e Téo e Andersen (percussionistas) não vão entender do que é que a gente está rindo e vão rir com a gente. Já a produção (Bel, Gustavo e André) vai perguntar se a gente está pronto. Vamos entrar no palco felizes, seguros, apoiados por uma equipe maravilhosa e ansiosa pra dar o melhor de si. Carnasite - Há alguns anos o Jammil gravou o primeiro CD acústico da história do axé, no A1, em São Paulo. Vocês têm um carinho especial pela “terra da garoa”? Manno - Claro que sim. Temos muitos amigos queridos em São Paulo. E ainda temos o sanduba do Joaquin´s, o jantar maravilhoso em qualquer restaurante que se vá e a Comix Book, minha loja de quadrinhos preferida. Carnasite - O Jammil e Uma Noites já fez inúmeros shows maravilhosos, no entanto, tem um que os seus fãs nunca mais esquecerão, que é o do Carnalfenas do ano passado. Tuca, que negócio foi aquele de mandar acordar o motorista, pois vocês iam dar mais uma volta e tocar até às oito da manhã?Tuca - Foi algo espontâneo. Que retrata o nosso astral, energia, garra e amor pelo que faz. Quando estou no palco eu gosto de fazer o que sinto. A apresentação em Alfenas foi algo mágico, um momento inesquecível que vivi ao lado de Manno, Beto e de toda a galera da banda e do bloco Tutu. Um momento que jamais esquecerei. Carnasite - Ainda falando de Alfenas, é verdade que aonde vocês tocam sempre aparece um abadá do Carnalfenas do ano passado? Será que vai ter muito abadá do Carnalfenas na gravação de São Paulo?Tuca - Com certeza, sempre tem (risos). Isso mostra a força do Carnalfenas, que atrai pessoas de todas as tribos e lugares do Brasil. Carnasite - Depois de Belo Horizonte e São Paulo, o restante do novo CD e DVD será gravado na Bahia, mais precisamente na Costa do Sauípe. O que vocês estão preparando para essa gravação? Manno - Vamos gravar um show acústico, esquema luau: violãozinho, fogueirinha na praia, convidados vips, gaita, anos 80. Vai ser tudo de bom! Carnasite - Quando o CD e DVD deverá chegar às lojas? Vocês já definiram a primeira música de trabalho?Manno - O CD e DVD devem chegar nas lojas entre agosto e setembro. Já no mercado pirata, entre maio e julho (risos). Quanto à música de trabalho, é prematuro para dizer, o resultado final do trabalho é que irá definir.Carnasite - Finalizando. O Jammil foi um dos grandes destaques do último Carnaval. Vocês comandaram os blocos Eu Vou! e Balada, em Salvador e tocaram também nas cidades de Caldas Novas (Goiás) e Pompéu (Minas Gerais). E para o Carnaval do ano que vem, a agenda já está definida? Tuca – Vamos puxar mais uma vez o Eu Vou! e o Balada. Quanto a sair de Salvador no ano que vem… é mais provável que não.