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Em entrevista exclusiva ao Carnasite, Léo Cavalcanti abre o coração e fala da relação fraternal entre A Zorra e o Chiclete com Banana
Formada por Léo Cavalcanti (voz e guitarra), Geovane (teclado), Edni (bateria), Shanon, Bruno e Mamau (percussão), Nau (baixo) e Alexandre (guitarra), A Zorra é considerada uma das maiores revelações do axé dos últimos anos. Embora a banda só tenha três anos de vida, ela já conseguiu a proeza de tocar no Festival de Verão de Salvador, foi uma das atrações do badalado Reveillon do Hotel Marina Park de Fortaleza e nos últimos dois anos teve a felicidade de puxar a quinta-feira do bloco Nana Banana do Carnaval de Salvador. Conhecida nacionalmente por causa da música “Solteiro em Salvador”, um dos grandes hits do último verão, A Zorra possui uma intensa relação com o pessoal do Chiclete com Banana, já que dois dos seus componentes, os percussionistas Bruno e Shanon, são filhos do baterista Rey. Por causa dessa relação fraternal com uma das maiores bandas da história do axé, A Zorra injustamente sofreu um certo preconceito e pesadas críticas no começo da carreira, pois as pessoas achavam que ela seria apenas mais um grupo “cover” do Chiclete com Banana, algo como a Patchanka. Nesta entrevista exclusiva ao Carnasite, o vocalista Léo Cavalcanti fala dessa fase difícil no começo da carreira, da relação com o Chiclete, de como conseguiram entrar para a poderosa gravadora BMG, do enorme sucesso de “Solteiro em Salvador” e revela que começou a cantar num karaokê de um restaurante do interior da Bahia. Carnasite – Depois do enorme sucesso de “Solteiro em Salvador”, o que A Zorra está preparando para o próximo Carnaval? Os fãs, gravadora e empresários ficam cobrando um novo hit?Léo Cavalcanti – Não existe cobrança. O que existe é uma coisa saudável, inclusive dentro da própria banda. Pois a gente sempre que ter uma música melhor do que a outra e em evidência. E acho que nós estamos conseguindo isso. “Saudade Vai Bater”, a atual música de trabalho, já anda fazendo bastante sucesso nas rádios e nos nossos shows. Além disso, em dezembro nós devemos lançar uma nova música para o Carnaval.Carnasite – Mas qual música vocês pretendem trabalhar no próximo Carnaval?Léo – Serão duas. “Saudade Vai Bater”, que a gente está divulgando neste segundo semestre e uma outra que ainda temos que decidir internamente. Possivelmente essa segunda música será “Aqui Não Pára Não”, que eu compus em parceria com o Tenilson Del Rey.Carnasite – Vocês esperavam que “Solteiro em Salvador” estourasse em todo o Brasil e fosse um dos grandes hits do verão e não apenas do Carnaval?Léo – Olha, a gente tinha um sentimento muito bom com essa música, já que ela era bem aceita em todos os lugares que A Zorra tocava. Mesmo nos lugares que as pessoas não a conheciam, quando a gente cantava o segundo refrão todo mundo já cantava conosco e isso era um ótimo feedback para a banda. Dessa forma, sabíamos que ela iria nos proporcionar algo bem legal.Carnasite – De onde veio a inspiração do tecladista Geovane Santos e do percussionista Bruno Gamacho para compor “Solteiro em Salvador”?Léo – Olha, esses caras são bagunceiros demais… (risos) Geovane ficou solteiro recentemente, Bruno também é solteiro. Fora que a gente também trabalha num clima de alegria muito grande. Então, falar de estar solteiro, de namorar, de paquerar é uma coisa muito constante em nossas vidas e eles acabaram bolando esse tema.Carnasite – Mudando um pouco de assunto e voltando um pouco no tempo, como surgiu A Zorra?Léo – A Zorra surgiu há três anos, graças a um projeto da Central do Carnaval. Eles me convidaram para montar uma banda e a gente acabou convidando alguns músicos para fazer parte de A Zorra.Carnasite – O nome da banda tem algo a ver com a música da Timbalada?Léo – Não, nada a ver. O nome foi dado por Pedrinho da Rocha. Na Bahia, zorra é uma gíria muito usada, quer dizer ir fazer festa, bagunça… Então a gente uniu o útil ao agradável. O nome era bacana, a idéia formada também era muito boa e o nosso grupo empresarial é muito forte. Aí juntamos ótimos músicos com um cantor “mais ou menos” (risos) e metemos bronca.Carnasite – Quando A Zorra começou a fazer os seus primeiros shows, muitas pessoas achavam que ela seria apenas mais uma banda “cover” do Chiclete com Banana. Ainda mais porque dois componentes da Zorra são filhos de Rey, o baterista do Chiclete. Foi difícil quebrar os preconceitos das pessoas e mostrar que vocês têm a sua própria identidade musical?Léo – Tudo o que é novo gera um certo preconceito entre as pessoas. Mas desde o começo nós mostramos a nossa verdadeira cara. Nós nunca imitamos ninguém e quem diz o contrário é insano e está ficando louco. É claro que aquilo que é bom a gente vai se espelhar, mas nunca iremos imitar ou fazer uma clonagem de nada. E é por isso que A Zorra sempre teve uma boa receptividade das pessoas. Sempre mostramos a nossa cara, a nossa verdade, seja ela boa ou ruim, mas é a nossa verdade.Carnasite – Como vocês tem uma relação fraternal com o Chiclete com Banana, eles costumam dar conselhos e até algumas dicas?Léo – Costumam sim. Ouvir um conselho, uma opinião deles, que são verdadeiros ícones, é muito importante. A gente sempre tem reuniões, principalmente com o Rey, que é pai de Bruno e Shanon. Os toques são muito legais e 99,99% são corretos. Mas nada que seja muito incisivo, pois a decisão final é sempre da banda, especialmente minha e de Geovane, que é o tecladista e diretor musical da Zorra.Carnasite – Nos seus shows rola de tudo, axé, rock/pop nacional, forró, samba/pagode, MPB… Por que essa enorme variedade de estilos musicais? Essa mistura de ritmos é uma característica própria de A Zorra?Léo – A gente faz o nosso repertório em cima de cada lugar que iremos tocar. Se a gente está em Fortaleza e o forró é uma coisa muito forte por lá, por que não tocarmos um forró durante o show? Um artista não deve se preocupar em apenas fazer um show e sim em agradar o público presente, em comandar uma festa. Quando vamos tocar em algum lugar sempre temos a preocupação em saber qual a música que a galera mais gosta de ouvir. Nós somos uma banda de axé. Os nossos discos têm músicas de axé. Mas num show temos que ser o mais eclético possível para poder agradar a todo mundo. Agora, é bom ressaltar que A Zorra não é uma banda de axé/pop, pop/axé e nem de pop, é sim uma banda de axé.
Carnasite – Apesar de vocês serem jovens e terem apenas três anos de banda, 10 das 13 músicas do último CD foram compostas por um dos integrantes da Zorra? De onde vem tanta inspiração? Por acaso tem alguém que anda sofrendo por amor?Léo – Sempre, sempre… (risos) Sofrer por amor é bom demais, é a melhor coisa do mundo. (risos) Com certeza é melhor sofrer por amor que por desamor. Eu sempre compus bastante. O mesmo acontece com Geovane e Bruno. E como a gente está sempre na estrada, sempre acabamos fazendo algumas coisas na brincadeira. Uma vez eu e o Geovane fizemos até uma música inteira no aeroporto de Recife.Carnasite – Recentemente vocês lançaram um CD por uma gravadora multinacional. Como surgiu o convite para ser um artista da BMG? A ótima relação com o Chiclete com Banana abriu essas portas para vocês?Léo – Depois de lançarmos um primeiro CD independente, graças ao enorme sucesso de “Solteiro em Salvador” várias gravadoras e não apenas a BMG começaram a ter interesse em nosso trabalho. Inclusive, chegamos até a ter reuniões com outras gravadoras. A nossa relação com o Chiclete facilitou as coisas, mas eles não chegaram a impor a presença da Zorra na gravadora. A BMG teve interesse em nosso trabalho, em nosso tape e por isso acabamos fechando. Estar no casting da BMG é uma coisa muito legal para nossa carreira.Carnasite – Atualmente vocês estão trabalhando a baladinha “Saudade Vai Bater”. Como está sendo a repercussão nas rádios e especialmente com as pessoas? Como ela possui uma letra lindíssima, “Saudade Vai Bater” serve para mostrar um outro lado da banda?Léo – Sem dúvida! Pois mostra que a banda tem músicas de conteúdo. É claro que a banda possui músicas mais simples, com refrões mais populares, tipo “Solteiro em Salvador” e “Love Love”. Mas em nossos CDs existem outras músicas com um refinamento maior, que possibilite que nossos trabalhos durem mais. Músicas que possuem um conteúdo maior acabam durando muito mais. Eu tenho certeza que “Saudade Vai Bater” é uma música que sempre estará no repertório da banda, já que possui esse conteúdo a mais.Carnasite – Ao escutar atentamente o último CD de A Zorra, percebi que “Saudade Vai Bater” e “Quando Vier Pra Bahia” possuem letras parecidíssimas, são quase idênticas, por quê?Léo – É uma história curiosa. Quando o compositor de “Quando do Vier Pra Bahia” me mostrou a música, eu me apaixonei por ela, achei lindíssima, maravilhosa. Mas a gente precisava de uma outra linguagem para a música. Então eu a levei para casa, estudei bastante essa música e criei uma outra melodia, uma outra letra e deixei apenas o refrão original. Mas como a banda achou “Quando Vier Pra Bahiar” lindíssima, decidimos colocar as duas no nosso CD.Carnasite – É verdade que você começou a sua carreira como cantor num karaokê de um restaurante do interior da Bahia?Léo – (Risos) É verdade. Quando eu tinha mais ou menos uns 11 anos meu pai tinha um restaurante que tinha música ao vivo, karaokê… Eu aprendi muito com vários cantores maravilhosos que cantavam neste restaurante de meu pai. Foi daí que eu passei a tomar gosto pela música.Carnasite – Além desses cantores da noite, quais artistas você se inspirava para cantar?Léo – Eu sou bem eclético, gosto de tudo. Na Bahia, por exemplo, eu gosto muito de Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Timbalada, Asa de Águia, Babado Novo, Banda Eva… Eu não quero ser político, mas são poucas as coisas da Bahia que eu não gosto. Eu gosto muito também de Steve Wonder, Jorge Vercilo, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, bossa nova e rock. Teve até uma época que eu escutava bastante Pink Floyd, Lez Zeppellin e U2.Carnasite – Entre essas referências você citou o cantor Jorge Vercilo, que inclusive compôs uma música para o primeiro CD de A Zorra. Fale um pouco de sua relação com ele.Léo – Eu sempre tive um carinho muito grande por Jorge e no nosso primeiro CD tivemos a honra de gravar uma música sua. Quando escutei “Trem da Minha Vida” pela primeira vez, eu simplesmente pirei, de tão linda que ela é. Como nosso primeiro CD foi independente e não teve muita divulgação, com certeza ela estará no nosso primeiro trabalho Ao Vivo.Carnasite – E quando A Zorra pretende gravar o seu primeiro CD e DVD Ao Vivo?Léo – Vai demorar um pouco, pois a banda só tem três anos. Eu acho que daqui uns três anos, quando tivermos um repertório maior e mais conhecido será o “time” ideal. Antes disso é força bastante a barra.Carnasite – Antes de partir para a carreira musical, você chegou a jogar futebol nos juniores do time do Vitória e também participou de campeonatos baianos e brasileiros de surfe. Excluindo a música, o esporte é a sua grande paixão?Léo – Eu sempre fui de praticar esportes. Por quase 10 anos eu pratiquei o surfe e joguei futebol. E hoje, eu tenho amigos que estão praticando esses esportes de uma forma profissional. É o caso do Wilson Nora, que é surfista e participa dos campeonatos do WQS e WCT. No futebol, eu joguei com o Paulo Isidoro, que já passou pelo Vitória, Palmeiras e Portuguesa.Carnasite – Foi difícil deixar essas duas paixões de lado para virar vocalista de uma banda de axé?Léo – Não. Quando eu comecei a cantar profissionalmente eu já tinha deixado de praticar esses esportes de uma forma mais séria.Carnasite – Há dois anos vocês estão puxando o bloco Nana Banana, um dos mais tradicionais e badalados do Carnaval de Salvador. Quando surgiu o convite?Léo – Como nós temos uma aprovação de mais de 80% no bloco Acadêmicas, o pessoal da Central do Carnaval decidiu nos convidar para puxar um dia de Nana Banana. Como no Acadêmicas, no Nana Banana também possuímos uma aceitação muito grande e por isso iremos puxar o bloco pelo terceiro ano consecutivo.Carnasite – É difícil animar um bloco que tem como atração principal o Chiclete com Banana. Uma banda que está acima do bem e do mal, uma banda que é uma verdadeira paixão, uma religião. Não dá um friozinho na barriga?Léo – No primeiro ano deu com certeza. Mas como nos dois últimos carnavais A Zorra foi o único artista que conseguiu vender todos os abadás para a quinta-feira, hoje nos sentimos muito mais confiantes em puxar o Nana.Carnasite – Além do Nana Banana (quinta) e Acadêmicas (sexta e sábado), existe a possibilidade de A Zorra puxar algum bloco no Campo Grande em 2005?Léo – Existe uma grande possibilidade, mas ainda estamos em negociações. Brevemente deveremos ter novidades sobre esse assunto. Por enquanto não posso dar mais detalhes, mas deve pintar novidades por aí.