por Érick MeloEla é filha, neta e bisneta de cantoras. Dona de uma voz maravilhosa e marcante, para muitos ela é a melhor cantora do axé de todos os tempos, ao lado da Rainha Daniela Mercury. Ou seja, superior até a Ivete Sangalo, a grande artista da música brasileira na atualidade. No entanto, por ironias do destino, perseguição (e inveja) de algumas pessoas e alguns erros na condução de sua carreira, especialmente quando deixou o Cheiro de Amor para tentar à sorte na carreia solo, infelizmente a talentosa Carla Visi sumiu da mídia e dos principais eventos de axé nos últimos anos. Porém, com o apoio de seus fãs e verdadeiros amigos, a guerreira Carla Visi está voltando e acredita que poderá dar a volta por cima brevemente. Sempre bastante franca, Carla fala abertamente nessa entrevista exclusiva ao Carnasite de vários assuntos, como o momento difícil que passou na carreira nos últimos anos, as grandes alegrias, o novo CD solo, das suas influências musicais e até sobre Alyne Olliveira (a nova vocalista do Cheiro de Amor). Carnasite – Há tempos os internautas do Carnasite nos pedem mais informações e uma entrevista exclusiva com você. Então, sacie a nossa curiosidade e dos seu milhares de fãs que tanto a admiram: por onde Carla Visi tem andado? E por que andou sumida por tanto tempo? O que aconteceu? Carla Visi – Voltei para universidade (Carla voltou a cursar jornalismo) e tive algumas questões familiares que me afastaram temporariamente dos palcos. Eu continuei fazendo shows, mas não com dedicação total. Carnasite – O seu primeiro CD solo misturou axé com MPB, pop eletrônico, forró, baião e até samba duro do recôncavo. Esse segundo trabalho solo, “Por Todo Canto”, será similar ao álbum de estréia ou investirá um pouco mais no axé? Carla Visi – Como foi feito para ser lançado inicialmente no Japão, ele é um CD muito brasileiro. Experimento diversos ritmos com guitarras distorcidas e tenho o prazer de cantar uma música romântica inédita de Guilherme Arantes e homenageio Salvador na poesia de Capinan com uma linda canção de Roberto Mendes. Carnasite – Ao lançar esse novo álbum você pretende voltar com tudo ao axé, ou seja, participar de micaretas e shows por todo o Brasil? Ele pode ser o seu pontapé inicial para a sua volta por cima? Carla Visi – Por baixo é que eu não gostaria de voltar (risos). Eu estou muito feliz com esse novo disco e tenho que lhe confessar, estou pouco preocupada com os rótulos. Sou uma cantora e amo o que faço. Agora, se há espaço para mim nas micaretas, isso eu não sei. Mesmo depois de tantos anos cantando com sucesso nos trios do Cheiro, a primeira oportunidade que tiveram de me tirar do circuito, o fizeram. Carnasite – Como você ficará dois meses fazendo shows pela Europa e Japão (de 01 de julho até 02 de setembro), só poderá divulgar esse novo trabalho no Brasil a partir da segunda quinzena de setembro. Já definiu a primeira música de trabalho? E para o Carnaval, já separou alguma coisa em especial? Carla Visi – Acho que uma boa música para começar é “África Mulher”. Uma canção forte, que fala da África, mãe de todas as civilizações, da mulher como ser transformador e tem uma linda coreografia.Carnasite – Há alguns meses saiu no “Correio da Bahia” que você tinha se separado e estava tendo um relacionamento com o genial cantor e compositor Guilherme Arantes. Isso confere? Ele a ajudou na concepção desse seu 2º CD solo? Carla Visi – Guilherme é um grande amigo e um artista que está disposto a ajudar os artistas da Bahia. Ele me presenteou com uma música linda, que se tornou o nome do disco e ainda gravou uma belíssima participação com o piano nessa canção. Carnasite – Mesmo fora da mídia e dos principais eventos do axé em todo o Brasil nos últimos anos, você continua sendo bastante respeitada e idolatrada por muitas pessoas. É esse carinho que a fez continuar na batalha e lutar para dar a volta por cima? Carla Visi – Nos momentos mais difíceis, mesmo quando estamos no topo, o carinho das pessoas (fãs), o apoio da família e os amigos sempre nos ajudam a dar a volta por cima. Carnasite – Ao sair do Cheiro, você acabou lançando um maravilhoso CD de MPB em homenagem ao mestre Gilberto Gil. Esse trabalho foi um sucesso de crítica, mas não obteve o sucesso comercial que merecia. Se arrepende de não ter lançado no seu álbum de estréia na carreira solo um trabalho mais popular e voltado para o seu público do axé? Carla Visi – Na verdade fiz um disco que muitos colegas gostariam de ter feito. quem não gostaria de homenagear Gilberto Gil? Tanto que ele está presente nos discos de vários artistas do axé e até se tornar ministro, participava do Carnaval de Salvador com o Expresso 2222. Para um disco ter sucesso comercial envolve muitas coisas e pessoas. Talvez vocês obtivessem uma resposta mais clara das gravadoras Universal e MZA sobre o porquê do nosso insucesso de vendas. Detalhe: eu nunca fui informada sobre quantos CDs foram vendidos. Carnasite – Carla Visi, no Cheiro de Amor, e Ivete Sangalo, na Banda Eva, estouraram em todo o Brasil praticamente na mesma época. Naquele período, a sua banda fazia até mais sucesso do que a dela. Muitas pessoas que conhecem o axé afirmam que se você tivesse ficado um pouco mais de tempo na sua antiga banda e uma pitadinha a mais de sorte na carreira solo que a história do axé seria bem diferente. Alguns chegam a falar que Carla Visi estaria fazendo até mais sucesso que Ivete. O que acha disso? O que Ivete Sangalo fez de certo e onde você acabou errando? Carla Visi – Eu não sei…
Carnasite – Outra grandes cantoras da axé music, como Gil, Márcia Freire, Márcia Short, Emanuelle Araújo e Carla Cristina também não conseguiram repetir o mesmo sucesso quando partiram para a carreira solo. É mais fácil chegar e se manter no estrelato cantando numa banda? Carla Visi – Acho que o sucesso de Ivete prova exatamente o contrário. Carnasite – Você é filha, neta e bisneta de cantora, ou seja, a música esteve presente em sua vida desde o seu nascimento. Quando teve certeza que iria seguir a mesma carreira delas? E como foi o seu primeiro show? Carla Visi – Eu não achava que pudesse ter a música como profissão. Eu cantava por prazer e pronto. Cantava com meus amigos, em casa com minha mãe e minha avó, e comecei a cantar na noite por acaso há 15 anos em um bar perto de casa. Essa apresentação foi um sucesso, afinal para que servem os amigos? Carnasite – Além de sua mãe, da sua avó e bisavó, quais os artistas que mais influenciaram em sua vida? Carla Visi – Elis Regina, principalmente, e todas as grandes cantoras da mesma época. Adorava também aprender um pouco com as maravilhosas letras dos compositores da nossa música. Carnasite – Antes do Cheiro de Amor você cantava na extinta banda Cia Click. Qual a importância dessa banda em sua vida profissional? É verdade que você quase não foi para o Cheiro porque queria continuar sua trajetória na Clic? Carla Visi – Cantar com amor é tudo de bom. A Cia Clic tinha uma proposta musical muito rica e uma maneira democrática de levar o trabalho. Isso foi muito importante para mim. Até hoje, mesmo na carreira solo, prefiro trabalhar em equipe. Eu e minha banda. Carnasite – Ao entrar no Cheiro não teve medo de substituir Márcia Freire, que naquela época disputava com Daniela Mercury o título de melhor cantora do axé? E mais, por acaso não sofreu com as comparações com o Furacão Loiro? Carla Visi – Nunca tive medo de comparações. Mesmo quando não estamos substituindo alguém somos vítimas de comparação. Eu tinha um objetivo: mostrar a minha voz, o meu talento, mostrar que era tão boa ou melhor que qualquer outra cantora de Carnaval. Acho também que os empresários do Cheiro me pouparam de situações desagradáveis. Além disso, com o tempo as pessoas entenderam que quando um cantor deixa uma banda é porque deseja algo que a sua banda não está lhe oferecendo. Carnasite – O seu primeiro grande hit no Cheiro de Amor foi a música “Vai Sacudir, Vai Abalar”. Por acaso essa canção é o maior talismã de sua carreira? Carla Visi – Essa canção foi muito marcante. Mas depois dela outras vieram e não podemos parar por aí. Tem muita gente boa compondo por esse Brasil, só esperando uma oportunidade. Carnasite – E quais outras canções do Cheiro marcaram a sua vida? Carla Visi – “Quixabeira”, “Simpatia”, “Minha Paz”…Carnasite – Por acaso você sente saudades daquela época? Qual a sua maior emoção e alegria no comando do Cheiro de Amor? Se pudesse voltar atrás, teria ficado mais um tempinho na banda? Carla Visi – Cada coisa no seu tempo. Não me arrependo de nada que fiz. Tenho boas lembranças, mas não tenho saudade. Só lamento não ter me despedido do bloco Cheiro de Amor, em 2001. Como aceitei o convite da gravadora Universal para fazer o meu CD solo, o Windson Silva (o todo poderoso empresário do Grupo Cheiro) e o Manuel, seu sócio na época, decidiram que eu não deveria fazer mais micaretas e nem o Carnaval de 2001, que seria quando terminaria o meu contrato. Não tive a oportunidade de me despedir do bloco que cantava a todos pulmões em cima dos trios e palcos e conseqüentemente passar o microfone para Márcia, que reassumiria o posto de cantora. Carnasite – Recentemente o Cheiro mudou mais uma vez de vocalista. Qual a sua opinião à respeito de Alyne Olliveira? Ela é uma substituta à altura para você e Márcia Freire? Carla Visi – Acho que sim. Parece ser uma garota legal, tem um sorriso bonito e conta com o suporte do grupo. Carnasite – Pegando um gancho nessa questão. Quem são as maiores revelações da axé music nos último cinco anos? Carla Visi – Eu não sei… Do pagode foi Xanddy, do Harmonia do Samba. No axé, acho que ninguém realmente interessante surgiu nos últimos cinco anos.Carnasite – Por que os anos passam e o Chiclete, Asa, Daniela e Ivete continuam no topo? Qual a fórmula mágica desses artistas? Carla Visi – Acredito que falar em fórmula mágica é muito simplista. Acredito em trabalho, muito trabalho e boas parcerias. Carnasite – E o Carnaval 2005? Existe alguma possibilidade de você puxar algum bloco em Salvador no ano que vem? Carla Visi – Até o momento não…