A Menina que começou cantando forró numa banda chamada Violeta, que experimentou palcos mambembes e estradas empoeiradas, há sete anos saiu da Nata do Samba para brilhar no Babado Novo em 2001. Sob seu vocal o conjunto finalmente veio a alcançar um sucesso que transcendeu as fronteiras da Bahia, no ano de 2003, com as canções “Amor Perfeito” e “Cai Fora”, além de regravações de outros sucessos. No dia 17 de fevereiro de 2008, gravou seu primeiro DVD em carreira solo, com um mega-show nas areias da praia mais famosa do mundo, Copacabana, com um público de cerca de 700 mil pessoas para consolidar seu nome como a mais nova musa da música baiana.
“Exttravasa”, seu hit de grande sucesso no Carnaval passado, abre o álbum, num dueto curioso, pra faixa inicial, com Gabriel “O Pensador”. O resultado final ficou apreciavel. “Rock Tribal”, gravado em seu último CD, foi a faixa seguinte, não vejo por que a sua inserção no DVD gravado no Rio de Janeiro, sendo que a música fala dos mineiros, talvez pelo fato do estado de Minas Gerais ser o que mais absorve a axé music no Brasil, não se pode perder essa fatia do mercado. A próxima faixa é “Fulano in sala” (maozinha), gravada originalmente no 2º álbum do Babado Novo em 2004, hit bem colocado, pra cima, com muita energia, os efeitos visuais também ganharam muita perfeição. “Quem é de fé balança” dá prosseguimento ao álbum, com uma pegada de carnaval, o refrão não é contagiante ao contrário da proxima faixa “Beijar na boca”, extraída do repertório da banda Cogumelo Plutão, tem uma letra contagiante e refrão que gruda, grande aposta pro carnaval.
Na faixa seguinte Claudinha costura “Dyer Maker”, do grupo Led Zeppelin, gravado em seu primeiro CD, com as palmas introdutórias do clássico “We will rock you” para dar início reggae “A Camisa e o Botão”, composição de Jauperi, gravada em 2006 no álbum “Diário de Claudinha”, o resultado final agrada o público em cheio que responde a cada comando da cantora. Outra inédita é “Cidade Elétrica”, nova explosiva parceria de Jorge Zarath e Manno Góes, ode a Salvador, gravada em dueto com Daniela Mercury que a inicia com um recital, enquanto as duas surgem por baixo do Palco, rendendo um dos melhores momentos do trabalho, talvez seja a melhor faixa.
“Doce Paixão” ganha uma nova roupagem, mais percussiva e com uma virada de naipes bem sofisticada, ficando além do simples samba raggae de antes, ganhando até uma percussão de samba no final. Inédita, “Carnaval de Salvador”, não diz pra que veio, bastante percussiva, é um samba reggae, que parece não ter muito futuro por não delinear nem uma balada nem um axé de carnaval, ficando na intermediaria, ainda com uma finalização Rock and Roll.
Com pout-porri de versões mais sofisticadas de “Eu fico / Amor a Prova / Janeiro a janeiro” se prossegue o show, com a aprovação dos fãs dos novos arranjos. Mas uma participação, numa reprise do sucesso do estudio Coca-cola, Claudinha convida Badauí, do CPM22, na versão Over Rock in roll de “Bola de Sabão”, só que desta vez mais apurada e ensaiada, mas um momento marcante.
A balada inédita “Pássaros”, dá início a série intimista do show, e rende um dos momentos mais emocionantes do show, só não mais que se tivesse um audio original que demontrasse os embargos de voz decorrentes da natural emoção, o mesmo ocorre em “Pensando em você” que vem logo em seguida, que ganha um maravilhoso coro, de Copacabana, embora o final tenha ficado um pouco over pelos malabares de voz com rimas feitos pela cantora. Numa homenagem aos fãs Claudinha grava “Horizonte”, composição de seu fã Tito, mais um momento emocionante, uma letra bem feita, que se encaixa como uma luva à Claudia, muito boa escolha. “Lirirrixa”, ganha a performance extra de seus percussionistas, “gordinhos”, e um arranjo eletrônico mais incrementado.
A escolha de “Busy Man” para dueto com Carlinhos Brown é infeliz por remeter, inevitavelmente, ao registro definitivo feito pelo mesmo Brown ao lado de Marisa Monte em seu segundo álbum, “Omelete Man” (1998), portanto as comparações também são inevitáveis, o novo arranjo e harmonia, talvez vindos da cabeça “criativa” de Brown, tornaram música pesada e a interpretação destoante, exceto na segunda parte, que Claudia se solta, dando luz ao dueto. Já “Eu grito”, inédita, é um hit intimista, bastante percussiva característico de Claudia, que certamente será mais trabalhada posteriormente.
A participação de Wando em “Fogo e Paixão” (1985) que surge de um jukebox não acompanha o pique da musa, que tenta transformar o hit em tema de micareta com sucesso. Neste caso, a presença do convidado somente atrapalhou a anfitriã que deu um show de sensualidades e ainda foi presenteada com uma calcinha. “Arriba” (Xenhenhêm) é a ultima inédita do álbum, outro sucesso, que promete esquentar os carnavais fora época, quente, percussiva, e com refrão que “pega”, uma das melhores do estilo no trabalho, sucesso garantido na avenida.
Um medley com “Cai Fora/Na estante/Banho de Chuva”, seguida de “Me chama de Amor”, nos faz passear pelos cinco álbuns gravados pelo Babado Novo de forma bem modernizada, pra terminar com “Insolação do coração”, debaixo de um banho de chuva artificial de forma bem sensual, contagiante e envolvente. A Grande baixa do DVD foi a ausência do hit que a revelou, “Amor Perfeito” um dos maiores da carreira do Babado novo, que inclusive lhe deu notoriedade nacional, quando da gravação com o rei Roberto Carlos em 2006 no especial da Rede Globo.
Claudia Leitte ao vivo em Copacabana, desde a capa se nota que é mais um enlatado gravado em estúdio, mascarado pela megaprodução nas areias da praia mais famosa do mundo. Percebe-se que foi um gasto milhionário com a superprodução, esquecendo-se o que mais importa o áudio, que tornou-se artificial as vezes destonante. Claudia Leitte tem um enorme potencial, por isso chegou aonde está hoje, acho que se tivessem reduzido a carga de coreografias, talvez pudesse se aproveitar mais o áudio original, sem grandes efeitos e mais naturalidade no cantar, pois o trabalho é ao vivo e são normais algumas imperfeiçoes que dão originalidade a obra. Tenho um profundo carinho pelo trabalho de Claudinha e acredito, que ela também pelo meu, pois sempre me tratou com muita amabilidade, portanto espero essa crítica seja tomada como um pequeno tijolo, para quem sabe ajuda-la a galgar os degrais cada vez mais altos que com certeza ira alcançar, pois talento e carisma para tal ela tem de sobra.
Que me desculpem as “Vejas”, “Épocas”, “ Correios” e “ Folhas” sulistas, além de outros sitezinhos irrelevantes..., que tentam eximar a axé Music, com exceção, é claro, da que parte de Ivete Sangalo, pois não podem com ela! Mas é público e notório o sucesso repentino da loura, em âmbito nacional, e querendo ou não vão ter que engolí-la por muito tempo, engolir o Axé, engolir a Bahia, que hoje é fábrica do rítmo mais tocados nas rádios de todo país.
FIQUE DE OLHO E OUVIDO EM PÉ:
ÓTIMAS: “Beijar na boca”, “Cidade Elétrica”, “Bola de Sabão”, “Horizonte”, “Arriba” (Xenhenhêm)
BOAS: “Exttravasa”, “Fulano in sala”, “Dyer Maker / A Camisa e o Botão”, “Doce Paixão”, “Eu fico / Amor a Prova / Janeiro a janeiro”, “Pássaros”, “Pensando em você”, “Lirirrixa”, “Eu grito”, “Fogo e Paixão”, “Cai Fora / Na estante / Banho de Chuva”, “Me chama de Amor”, “Insolação do coração”
REGULARES: “Rock Tribal”, “Busy Man”
RUINS: “Quem é de fé balança”, “Carnaval de Salvador”